domingo, 25 de agosto de 2013

Pensar no século XXI

Aprendendo a pensar
Stephen Kanitz

A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas ideias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não.

Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida. Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito.
A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão. Perguntava também o número de prótons do ferro. E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas. Aprendi poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos.
Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar. Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas.
Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, economistas já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet. De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior. Nossos economistas implantaram no Brasil uma teoria americana de "inflation targeting", como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos. Deu no que está aí.
De tanto estudar o que intelectuais estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar. Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos. Especialmente se eles ainda estiverem vivos. É sandice acreditar que intelectuais já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram. Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na sequência que o professor quer.
Matemática, estatística, exposição de ideias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar. Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino. Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos intelectuais das velhas gerações, é fugir da realidade.
Num mundo em que se fala de "mudanças constantes", em que "nada será o mesmo", em que o volume de informações "dobra a cada dezoito meses", fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente. No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam estarão obsoletos. Sempre teremos problemas novos pela frente. Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina.

Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando. São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso.
Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas. Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução.
Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo. Poderia estar aprendendo a pensar.

Stephen Kanitz   (www.kanitz.com.br- Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1763, ano 35, nº 31, 7 de agosto de 2002)


Depois da leitura do texto supracitado, comecei a refletir com mais afinco nessa “ditadura da comunicação”, digo isso porque a unidirecionalidade faz isso com as pessoas; ela define somente um caminho para a verdade absoluta da informação.
 Isso como podemos ver no referido texto, acontecia no passado, quando os alunos eram obrigados a decorar o que os docentes lhes falavam. Dessa maneira a comunicação e a aprendizagem perdiam o seu real e concreto papel. Pois, o aluno era só um receptáculo de saberes muitas vezes ultrapassado.
Atualmente, com as novas tecnologias notamos que o erro de comunicabilidade prossegue, visto que as salas de aula não colocam a interação a serviço da educação. Temos teóricos e pensadores que afirmarão que a tecnologia do século XXI está sim, presente nos meios educacionais, e de certa maneira isso é uma realidade, contudo uma realidade que deve ser investigada. Pois, ter data show, tablet, equipamentos de áudio e microcomputadores, não resolvem por si só o problema da comunicabilidade interativa. Falta essa ferramenta, que não é tecnológica, mas sim, humana. Como solucionar então esse diapasão da comunicação, que acaba ficando deficiente?
Muitas respostas surgiriam, mas duvido um pouco da eficácia delas a médio e longo prazo.
Assim fiz uma breve pesquisa com um grupo reduzido de alunos numa escola privada onde trabalho com artes. A questão começou quando passei a imagem de um quadro de Renoir e pedi que eles colocassem as duvidas e questões pertinentes à obra; somente dois alunos interagiram como normalmente ocorre. Daí tive um lampejo de tentar aumentar o meu público interativo. Com a mesma imagem fiz um grupo no facebook, adicionei a turma, e postei um comentário sobre a tela. Em dois dias eu tinha trinta e nove comentários e dois compartilhamentos. Vi que a interação aumentara, e comecei a pensar se aquilo era uma coisa esporádica ou se poderia ter uma perenidade maior.
Fiz um segundo teste, trabalhei duas telas de Monet, em sala, expliquei quem era o referido pintor e sua importância para o meio artístico. Parei por aí! No primeiro dia consecutivo a minha aula, os alunos estavam comentando no grupo do facebook a aula e tinham, para a minha surpresa, procurado outras telas do pintor com as características do impressionismo.
Eu fiquei impressionado (usando o tema da aula) com tamanha rapidez e interatividade. E depois de toda essa experiência inicial, notei que uma das fórmulas para ensinar era a interação, que não acontece em sala, pois muitos se sentem intimidados em fazer qualquer apontamento ou pergunta, isso para não se expor. Mas, a mídia resolve esse problema e coloca todos em igualdade de posição, não existindo o “cdf” ou o “burro”, todos são iguais e por isso se sentem muito mais a vontade em falar.
Desta forma começo a compreender que a educação deve se valer e muito dos meios midiáticos, não que esses venham a substituir outros já existentes; mas temos de olhar em outras direções e perceber que a educação feita à distância pode aproximar muito mais do que imaginamos.
Quebrar a unidirecionalidade da comunicação depende muito mais de recursos humanos eficientes do que meios tecnológicos eficazes.






Por: Jayme Matheus

sábado, 24 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO INTERATIVA

Educando a geração interativa


Uma pergunta frequente para pais e educadores é "como despertar o interesse dos jovens? ", e esse questionamento continua com o objetivo de descobrir como considerar as características marcantes dos jovens da atualidade, suas experiências de vida, de modo que seja possível buscar uma comunicação eficaz e satisfatória em relação à tarefa educativa, tanto de pais como de professores. Também faz parte da reflexão do educador tentar entender quais seriam as expectativas e dificuldades dessa juventude do século XXI.




Conhecer o jovem real é fundamental

Essa preocupação em conhecer os jovens é fundamental para evitar o grande risco de se equivocar e confundir os jovens reais - aqueles que estão em sua sala de aula ou em sua casa- com um modelo idealizado ou estereotipado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a adolescência é uma fase compreendida dos 10 aos 20 anos. Além de ser uma fase da vida tradicionalmente marcada por mudanças físicas e emocionais, os adolescentes de hoje vivenciam um mundo e situações familiares marcados por constantes transformações, já dominam assuntos e recursos muito diferentes daqueles que seus pais e professores vivenciaram um dia.

A maioria dos pais enfrenta sérias dificuldades em manter e/ou estabelecer uma comunicação positiva quando os filhos chegam à adolescência. As alterações fisiológicas somadas à rebeldia natural da fase costumam despertar muitas dúvidas a respeito de limites e condutas educativas, especialmente porque os jovens tendem a seguir ou se deixar influenciar por modelos - de beleza, de status etc - amplamente divulgados pela mídia. Se para professores a grande questão é "como motivar", para as famílias, sem dúvida, é "como dialogar". Em tempos de cultura digital, é possível encontrar e trocar informações relevantes sobre essa fase por meio de sites de especialistas médicos e psicólogos que buscam apoiar e orientar os pais na tarefa educativa.

Do ponto de vista da educação escolar, Paulo Freire propõe que - além de se conhecer o aluno "real" - é necessário romper o paradigma educador-educando, defendendo que ambos, educador e educando, ocupam as duas posições. Para Freire, essa troca de papéis permite que tanto educador como educando sejam sujeitos e cresçam juntos: em vez de um professor que apenas transmite informação e um aluno que passivamente as recebe, acreditando ter aprendido, é preciso trazer o professor para a posição do aluno e o aluno para a posição do professor. O educando, ao ser educado, também educa. Ambos crescem na crítica da própria reflexão e ação.

        As crianças e jovens de hoje já nasceram na era digital, este universo informatizado no qual buscamos aprender a dialogar, é o universo natural deles, os nativos digitais. No ambiente escolar, pelo menos na escola pública, que é meu campo de atuação, vemos crianças com muitas dificuldades de aprendizado e que tem Facebook, celulares de ultima geração com vários aplicativos, participam de jogos interativos como Hoboo e se movimentam nesses espaços de cibercultura com desenvoltura e agilidade (muito melhor do que nós professores, na maioria das vezes). Entretanto, apresentam um desenvolvimento escolar muito aquém do esperado. Onde está o erro? Não consigo ver uma resposta concreta e definitiva. Fico muitas vezes me perguntando como faço pra chegar até eles, despertar seu interesse em algo que  considero mais produtivo. Aí volto a me questionar, será que esse currículo escolar vigente ainda é adequado a essa nova geração. Hoje me encontro num período de conflito profissional e acredito que muitos profissionais da educação se encontram no mesmo dilema. Temos um currículo a cumprir e não fomos ensinados a trabalhar isto através dos recursos digitais. Temos muitos conhecimentos para utilizar as tecnologias, porém temos muitas dificuldades de interagir com os alunos de forma pedagógica, através das mesmas. Com toda essa insegurança, acabamos por nos apoiar no que já conhecemos e passamos a utilizar os recursos digitais, como um apoio às metodologias tradicionais da pedagogia de transmissão. O que se vê muito nas escolas é a utilização do computador, datashow, internet, para transmitir informações aos alunos e depois cobrar deles o que foi aprendido através dessas informações. Reportando-me as palavras de Paulo Freire, em que o educando e o educador devem se colocar um no papel do outro e educar-se mutuamente, me pergunto como fazer isso de modo a garantir a aprendizagem deste aluno. Como despertar nos meus alunos o interesse sobre algo que eu considero importante, se o foco deles é outro?  E em relação ao contrário, será que tenho condições de mensurar a importância do conteúdo trazido por eles e dar-lhes a devida atenção? São muitos questionamentos e poucas resposta. Acredito que estamos num momento de transição na Educação, que deve passar por reformulação em termos de currículo, capacitação profissional, pesquisa de interesses reais, e com isso se chegar a denominador comum que agregue o conhecimento que realmente é importante, com subsídios de busca, a partir dos questionamentos individuais e coletivos.

"Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele."
Paulo Freire

 POSTADO POR DEISE LIMA 

sábado, 17 de agosto de 2013

 No video abaixo podemos conhecer a experiência de inclusão social criada pelo programa Um Computador por Aluno (UCA), na cidade de Campo Limpo Paulista, e também o trabalho com tecnologias envolvendo crianças com deficiências em Indaiatuba, interior do Estado.

AMBIENTE VIRTUAL PODE ELIMINAR A DISTÂNCIA?

"A produção de uma nova paisagem educativa em ambiente virtual precisa enfrentar um conjunto de variáveis, entre elas as novas configurações espaço/temporais. Uma pergunta que circula no ambiente acadêmico é: pode a tecnologia suspender a distância? Como construir outra interação diferente da presencial? Como reduzir a distância transacional entre alunos e aprendizes no ambiente virtual?
 ...
 Na modalidade de EaD, a distância transacional torna-se uma questão crítica e essencial. O distanciamento geográfico e o isolamento relativo do aprendiz – característicos da modalidade – podem ampliar a distância entre os professores e aprendizes e gerar a tão freqüente evasão. Por outro lado, estudos sinalizam que o ambiente virtual pode gerar aproximações e uma convivência tão próxima quanto a presencial. Maraschi (2000)18 afirma que as tecnologias na realidade têm a função de eliminar a distância ou construir outras interações diferentes da presencial. Ao possibilitarem a suspensão das distâncias espaciais permitem a convivência e a diversidade identitária. Comunidades de conhecimento com amplas possibilidades interativas podem ser formadas assim se for atualizada uma comunicação diferenciada. Quando o ambiente virtual de aprendizagem atualiza os recursos do hipertexto; disponibiliza o conteúdo através da convergência de mídias; opera com os recursos das redes eletrônicas de forma criativa tem-se uma grande chance de reduzir a distância transacional. Na medida em que o ambiente pedagógico tenha como meta criar situações de aprendizagem significativas e alocar recursos humanos com disponibilidade subjetiva e objetiva para estabelecer um diálogo permanente, pode até ultrapassar as condições atuais do regime presencial."

                  Neste fragmento de texto retirado do artigo " Educação a Distancia. Ambiente Virtual: Construindo Significados" de IRA MARIA MACIEL, podemos entender, que apesar da distância geográfica, as novas tecnologias possuem o poder de aproximar pessoas que se encontram em locais distintos. Essa possibilidade de comunicação entre o professor e o aluno, pode se mostrar produtiva e levá-los a uma aproximação, tornando essa relação tão, ou até mais próxima, quanto uma aula presencial. Se o ambiente virtual disponibilizar recursos que despertem a curiosidade e a criatividade, há grandes possibilidades do desenvolvimento de uma trabalho mais interativo, fugindo assim do paradigma da educação de transmissão.
                O artigo completo é muito interessante e pode ser acessado através do link:  http://www.senac.br/BTS/283/boltec283e.htm

Deise Lima