sábado, 24 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO INTERATIVA

Educando a geração interativa


Uma pergunta frequente para pais e educadores é "como despertar o interesse dos jovens? ", e esse questionamento continua com o objetivo de descobrir como considerar as características marcantes dos jovens da atualidade, suas experiências de vida, de modo que seja possível buscar uma comunicação eficaz e satisfatória em relação à tarefa educativa, tanto de pais como de professores. Também faz parte da reflexão do educador tentar entender quais seriam as expectativas e dificuldades dessa juventude do século XXI.




Conhecer o jovem real é fundamental

Essa preocupação em conhecer os jovens é fundamental para evitar o grande risco de se equivocar e confundir os jovens reais - aqueles que estão em sua sala de aula ou em sua casa- com um modelo idealizado ou estereotipado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a adolescência é uma fase compreendida dos 10 aos 20 anos. Além de ser uma fase da vida tradicionalmente marcada por mudanças físicas e emocionais, os adolescentes de hoje vivenciam um mundo e situações familiares marcados por constantes transformações, já dominam assuntos e recursos muito diferentes daqueles que seus pais e professores vivenciaram um dia.

A maioria dos pais enfrenta sérias dificuldades em manter e/ou estabelecer uma comunicação positiva quando os filhos chegam à adolescência. As alterações fisiológicas somadas à rebeldia natural da fase costumam despertar muitas dúvidas a respeito de limites e condutas educativas, especialmente porque os jovens tendem a seguir ou se deixar influenciar por modelos - de beleza, de status etc - amplamente divulgados pela mídia. Se para professores a grande questão é "como motivar", para as famílias, sem dúvida, é "como dialogar". Em tempos de cultura digital, é possível encontrar e trocar informações relevantes sobre essa fase por meio de sites de especialistas médicos e psicólogos que buscam apoiar e orientar os pais na tarefa educativa.

Do ponto de vista da educação escolar, Paulo Freire propõe que - além de se conhecer o aluno "real" - é necessário romper o paradigma educador-educando, defendendo que ambos, educador e educando, ocupam as duas posições. Para Freire, essa troca de papéis permite que tanto educador como educando sejam sujeitos e cresçam juntos: em vez de um professor que apenas transmite informação e um aluno que passivamente as recebe, acreditando ter aprendido, é preciso trazer o professor para a posição do aluno e o aluno para a posição do professor. O educando, ao ser educado, também educa. Ambos crescem na crítica da própria reflexão e ação.

        As crianças e jovens de hoje já nasceram na era digital, este universo informatizado no qual buscamos aprender a dialogar, é o universo natural deles, os nativos digitais. No ambiente escolar, pelo menos na escola pública, que é meu campo de atuação, vemos crianças com muitas dificuldades de aprendizado e que tem Facebook, celulares de ultima geração com vários aplicativos, participam de jogos interativos como Hoboo e se movimentam nesses espaços de cibercultura com desenvoltura e agilidade (muito melhor do que nós professores, na maioria das vezes). Entretanto, apresentam um desenvolvimento escolar muito aquém do esperado. Onde está o erro? Não consigo ver uma resposta concreta e definitiva. Fico muitas vezes me perguntando como faço pra chegar até eles, despertar seu interesse em algo que  considero mais produtivo. Aí volto a me questionar, será que esse currículo escolar vigente ainda é adequado a essa nova geração. Hoje me encontro num período de conflito profissional e acredito que muitos profissionais da educação se encontram no mesmo dilema. Temos um currículo a cumprir e não fomos ensinados a trabalhar isto através dos recursos digitais. Temos muitos conhecimentos para utilizar as tecnologias, porém temos muitas dificuldades de interagir com os alunos de forma pedagógica, através das mesmas. Com toda essa insegurança, acabamos por nos apoiar no que já conhecemos e passamos a utilizar os recursos digitais, como um apoio às metodologias tradicionais da pedagogia de transmissão. O que se vê muito nas escolas é a utilização do computador, datashow, internet, para transmitir informações aos alunos e depois cobrar deles o que foi aprendido através dessas informações. Reportando-me as palavras de Paulo Freire, em que o educando e o educador devem se colocar um no papel do outro e educar-se mutuamente, me pergunto como fazer isso de modo a garantir a aprendizagem deste aluno. Como despertar nos meus alunos o interesse sobre algo que eu considero importante, se o foco deles é outro?  E em relação ao contrário, será que tenho condições de mensurar a importância do conteúdo trazido por eles e dar-lhes a devida atenção? São muitos questionamentos e poucas resposta. Acredito que estamos num momento de transição na Educação, que deve passar por reformulação em termos de currículo, capacitação profissional, pesquisa de interesses reais, e com isso se chegar a denominador comum que agregue o conhecimento que realmente é importante, com subsídios de busca, a partir dos questionamentos individuais e coletivos.

"Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele."
Paulo Freire

 POSTADO POR DEISE LIMA 

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